A infinitude de Lavoisier

Violência demanda violação.
Ter segredos significa segregar.
Especial pertence à espécie.
Hipopótamos? Meras hipóteses!

Estariam os canos para canetas,
como os canais para canaletas?
Só é ridículo se for risível.
A nossa relação é um relato.

Se incrível, não pode ser crível.
Arriscar é viver sem riscas,
então risco é apenas um risco.
Escada também é uma escala.

Lembre-se! Extrato se extrai,
mas estrato se estratifica.
Não se obriga sem brigar.
Mas e alugar é só para lugar?

Oras, que tomado! Que comido!
Sorvete deveria ser sorvido.
Fim é necessariamente começo.
Pois nada se cria, nada se perde.

A Lavanderia se transformou
e agora só existe enroscada
nos dentes de seus vermes.

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A publicização do voto

Por garantir a liberdade política dos eleitores diante da urna, o voto secreto é um instrumento fundamental para a consolidação de nossa atual oligarquia representativa. Faça valer seu direito, guarde o nome do seu candidato favorito e [com especial apelo] sua ordinária opinião política para você mesmo. Quem muito se expõe, pouco morde. Não se curve à opressão, exerça imediatamente seu direito de permanecer calado!


Déjà vu

Milagre econômico, obras faraônicas, intervencionismo, dependência da exportação, regime autoritário, forte movimento de urbanização, câmbio fixo, nacionalismo, militariazação, censura institucionalizada, grande desigualdade social e regional. Isso é Brasil nos anos 1970. E China nos anos 2000. Ironia? Um foi extrema direita e outro é extrema esquerda.


Eu tenho uma lixeira

“Por que você só tem menos de 350 poemas publicados?”

“Eu tenho uma lixeira em casa”. – Wislawa Szymborska


Com ou sem Twitter

A Revolução no Egito resultou da falta do Twitter e não o contrário. Afinal, quem está nas redes sociais, não está revolucionando o mundo. […] É assim que  Navid Hassanpour quebra dois tabus num texto só: publicou a primeira e única página da história do Le Monde Diplomatique Brasil que não traz conteúdo irrelevante num viés tendenciosamente revolucionário e, ao mesmo tempo, publicou a primeira análise comunicóloga que (vá-se lá entender o porquê!) resolveu analisar fatos. Leia o texto e a análise completa clicando aqui.


Não diga não ao não!

Sei que estou ficando velha e rabugenta, mas simplesmente não suporto mais nenhuma dupla negação. Será que não tinha nenhum estagiário competente na Prefeitura de São Paulo? Só unzinho bastava para não deixar nenhum desses absurdos de coesão passarem batidos. Afinal, só alguém que não domina absolutamente nada de comunicação poderia não ver nada de errado com essas frases. Esse tipo de construção que esbanja negações nunca ajuda ninguém a se expressar. Fica aí a lição: negar a negação é a mesma coisa que negar a negação da afirmação. E não me venha com nenhuma desculpinha esfarrapada: “é usual, é a linguagem do povo”. Se a voz do povo é a voz de Deus, então Deus não fala nada bonito.


Essa empresa reluz como ouro!

Como uma empresa que nunca rendeu um único centavo, tem apenas um escritório em San Francisco, treze empregados, somente um produto (e ainda distribuído gratuitamente!) pode valer um bilhão de dólares? Simples: porque alguém pagou um bilhão de dólares por ela. […] Hoje, comprar uma empresa é como investir em ouro. O ouro não se multiplica, não dá frutos, não rende juros, nem lucra. Ele valoriza. As empresas também são assim. […] Só que, em algum lugar, alguma hora, alguém vai ter de pagar essa conta. Leia o ensaio completo.